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Queda da natalidade na Argentina: “Este processo faz parte de uma tendência global”

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A socióloga Eugenia Bravo, pesquisadora do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Social (INDES – UNSE/CONICET) reflete sobre esta questão com base em dados oficiais e tendências demográficas recentes.

A taxa de natalidade na Argentina está num dos níveis mais baixos das últimas décadas, um fenómeno que levanta questões sociais, económicas e políticas de âmbito estrutural.

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Segundo as estatísticas nacionais, a taxa de natalidade caiu de 18,2 por mil residentes em 2014 para 10,7 em 2022, enquanto o número total anual de nascimentos caiu de 770 mil para 460 mil em 2023, atingindo um mínimo histórico. Por sua vez, o último relatório da Direcção Nacional de População sugere que os nascimentos caíram quase para metade na última década.

Bravo explicou que este processo não é específico de um país, mas faz parte de uma tendência global que pode ser observada em diferentes partes do mundo, como América Latina, Europa e Ásia. “A diminuição da natalidade está ligada a profundas transformações económicas, laborais e sociais que afectam directamente as condições físicas e simbólicas da criação dos filhos”, observou.

O censo nacional de 2022 também reflete esta mudança estrutural: a taxa de fertilidade caiu 57% entre 1980 e 2022, de 3,3 filhos por mulher para 1,4. Estes dados reflectem uma mudança constante nas decisões reprodutivas e na forma como a maternidade e os planos de vida são feitos.

Embora o declínio nos nascimentos tenha sido registado em todas as províncias, o fenómeno apresenta diferenças espaciais. Províncias como Buenos Aires e Terra do Fogo apresentam as quedas mais pronunciadas, enquanto Santiago del Estero e San Juan apresentam uma redução menor, mantendo-as abaixo da média nacional. Estas variações, explica o investigador, respondem às dinâmicas socioeconómicas e às condições locais específicas.

Da UNSE, a contribuição de investigação desenvolvida pelo INDES ajudar-nos-á a analisar criticamente as mudanças demográficas e sociais, fornecer ferramentas para o debate público e formular políticas que tenham em conta as novas realidades familiares e demográficas do país.

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