Análise: The Last of Us

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Plataforma utilizada: PS3

Revelado oficialmente em 2011 e lançado em junho de 2013, o novo jogo da Naughty Dog exclusivo para o PlayStation 3 já está sendo tratado por muitos gamers como “o jogo da geração”.

Os sites especializados fazem coro sobre o jogo e, até 28/07, o Metacritc, site que consolida avaliações de dezenas de reviews, já apontava para The Last of Us uma nota média de 95 de aprovação, o colocando à frente de grandes clássicos. Veja a lista.

E aqui, com o jogo já completado, após pouco mais de 20 horas e (apenas) três troféus conquistados, deixo as minhas impressões. E tomarei o cuidado de não revelar nada relevante para a trama!

THE LAST OF US

Zumbis. Difícil pensar em continuar se divertindo com uma temática que já está tão massificada em nosso cotidiano. Séries, revistas, livros e muitos jogos tem bebido da fórmula, que já não assusta mais.

Isso explica em grande parte a desconfiança inicial que muitos lançaram sobre o jogo, e eu me incluo nesta lista. Principalmente após certa frustração com os últimos do gênero survival horror (jogos da franquia Resident Evil), imaginei que os zumbis já não me convenceriam mais.

O jogo começa apresentando a vida do nosso primeiro protagonista, Joel, 20 anos antes dos fatos que conduzem o game. É o momento em que a infestação começa e você se sente literalmente conduzido pelo jogo, com a visão de um fugitivo, ainda compreendendo o que está se passando com a sua vizinhança.

O JOGO

Depois da abertura, o jogo começa de fato. Você conduz Joel, que já está com aproximadamente 45 anos, pelo mundo que restou após a contaminação. Áreas isoladas pelo exército impedem o trânsito de pessoas entre as áreas de contaminação de todo o país. Joel agora é um contrabandista de armas e outros itens para as milícias que atuam dentro das zonas de controle e é guiado por sua amiga Tess, com aproximadamente 35 anos, pela primeira investigação do jogo: descobrir quem desviou as armas que vocês estavam transportando.

Tess: Sua relação com Joel não é conhecida.

Tess: Sua relação com Joel não é conhecida.

A CARGA

Em uma reviravolta Joel se vê obrigado a cumprir uma nova tarefa antes de prosseguir com sua rotina: transportar a adolescente Ellie, 14, para um lugar seguro. Uma dor de cabeça para ambos, que prefeririam continuar tocando suas vidas por si próprios, mas que passam a ter que estar juntos para alcançar seus objetivos.

OS INIMIGOS

Conduzir Ellie até seu destino o obriga a enfrentar uma série de inimigos e obstáculos. Aqui a temática zumbi começa a inovar frente que já vimos até o momento.

Os zumbis se diferenciam mesmo daquilo que temos visto na cultura pop. Enquanto nos Resident Evil mais recente os zumbis já chegam a dirigir veículos e elaborar complexas estratégias para o perseguir, em The Last of Us estes contaminados não possuem traços de inteligência ou personalidade. Eles estão condenados a serem unicamente instintivos, o que resulta em um maior nível de surpresas e de formas diferentes de ser morto ou de matar as criaturas.

Fora isso, o combate nem sempre pode ser a melhor solução para você avançar em sua jornada. Você irá enfrentar, além dos zumbis (os infectados), militares e uma série de mercenários e, em muitos casos, se manter escondido e aguardar o perigo passar será muito melhor (e até mais divertido) do que encarar os inimigos de frente. Os estaladores (originalmente, clickers) são um dos tipos de zumbis o farão pensar duas vezes sobre a melhor estratégia de jogo.

AS ARMAS E SUPRIMENTOS

Um leque de armas estará à disposição do jogador, mas com munições bastante escassas. Você se verá celebrando ao encontrar um cartucho com duas balas e saberá que cada tiro deve ser utilizado com muita responsabilidade. Durante a jornada você encontrará pedaços de equipamentos e poderá os utilizar nas oficinas para aprimorar suas defesas.

As bombas merecem destaque. A bomba caseira de pregos é acionada quando um inimigo pisa sobre ela, mas o sei efeito explosivo é de uma beleza ímpar, principalmente por causar a destruição completa dos inimigos próximos aos estilhaços.

Construir bombas requer a coleta de suprimentos diversos pelos cenários e caberá ao jogador decidir se é melhor ter mais kits médicos ou bombas e coquetéis molotov à disposição, uma vez que os itens para construção dos artefatos são compartilhados. Ponto positivo para o jogo, novamente nos lembrando que este mundo pós apocaliptico não é amistoso com humanos.

Por último, vale destacar que todas as melhorias, mudanças de armas ou até o uso de kits médicos ocorrem com o jogo em curso. Diferentemente de jogos onde você tem a ação pausada durante uma troca de espadas, em TLOF tudo é feito em tempo real, exigindo do jogador um pensamento estratégico sobre o que fazer e em que local.

O CENÁRIO E OS COLECIONÁVEIS

Ellie e Joel atravessam os Estados Unidos para chegar até seu destino. Nesta trajetória eles cruzarão cidades em ruínas, ao melhor estilo do filme “Eu sou a Lenda” com Will Smith, atravessarão grandes áreas no interior, inclusive a cavalo e irão entrar em uma série de casas, estabelecimentos comerciais e escritórios, todos muito bem construídos e com mobiliário que tenta não se repetir a cada novo cômodo.

updateadaPonto para a Naughty Dog, mas aqui entra uma questão que me traz certo incomodo em jogos de exploração: itens colecionáveis que “brilham” ou se destacam do cenário para chamar a atenção.

Em um jogo como TLOU, penso que uma exploração competente deveria ser recompensada, mas se os colecionáveis saltam aos olhos e se as únicas gavetas e portas que se são reais contam com a indicação do botão triângulo sobre elas, este fator acaba sendo facilitado. Quem sabe nesta próxima geração os cenários e elementos que permitem interação comecem a se fundir a nosso favor. Isso não tira pontos do jogo, penso que deverão surgir alternativas à favor da imersão.

A HISTÓRIA

É aqui que TLOU faz diferença com muito do que já havíamos visto. A missão de proteger Ellie passa a não ser apenas de Joel, mas também do jogador, que adotará o constante hábito de procurar por ela no cenário para se certificar de sua segurança. Além disso, como uma criança que nasceu em tempos de caos, Ellie se encanta em descobrir e questionar com uma série de características, hábitos e costumes dos cidadãos dos anos anteriores a 2013.

Descobrir diários de garotas, aprender a assoviar e citar bordões de revistas em quadrinhos serão sotuações recorrentes entre os momentos de ação e que trazem grande empatia e identificação com a personagem. O drama se desenvolve de forma grandiosa, emocionando o jogador, auxiliado ainda por uma bela trilha sonora composta pelo experiente Gustavo Santaollala, argentino vencedor de dois Óscar de trilha sonora por Babel e por O segredo de Brokeback Mountain. Red Dead Redemption e Mario Galaxy.

Caso você tenha um pouco mais de tempo, assista um pouco do mini documentário abaixo, com pouco mais de cinco minutos de duração, onde, além de ouvir alguns trechos da trilha sonara, você terá Santaollala falando sobre esta trilha sonora.

Entre seus comentários, em inglês, ele destaca a importância de ter tido liberdade para trabalhar suas idéias com o time da Naughty Dog, fala de sua empolgação em trabalhar pela primeira vez em um projeto nos videogames e da base emotiva que buscou proporcionar a este trabalho.

E FALANDO EM SOM: A DUBLAGEM BRASILEIRA

Em um trabalho muito profissional e feito no Brasil com renomados dubladores como Luiz Carlos Persy (V de Vingança, Padrinhos Mágicos e Lord Voldemort, de Harry Potter), a equipe da Naughty Dog e da Sony fizeram uma importante lição de casa, atendendo aos pedidos dos fãs que andavam incomodados com algumas localizações feitas anteriormente. Novo ponto para o jogo!

Além disso, os jogadores tem a opção de manter o áudio original e configurar apenas as legendas em português. Tudo ajustado de maneira simples no menu inicial do game.

QUANTO VALE O SHOW?

Se você possui um PlayStation 3, considere jogar The Last Of Us uma experiência obrigatória. Tecnicamente o jogo faz juz à máxima de que “é no final da geração que são lançados os melhores jogos”. Se você não tiver um PS3, pode ser o momento de providenciar um console ou pegar emprestado com um familiar ou amigo.

E, na questão de roteiro, a conexão entre Ellie e Joel pode soar diferente para cada pessoa, e penso que nossa infância e nosso relacionamento com nossos pais e familiares podem interferir nestes diferentes sentimentos, assim, apesar dos vídeos no YouTube e dos reviews, viver esta experiência com autonomia, no comando das situações, é extremamente válido!

Mais uma nota para quem ainda não tem o jogo: A compra da versão digital informa necessitar de 153 MB de espaço em disco. Este tamanho é apenas do instalador do game. Após ele, prepare-se para baixar 26 GB de conteúdo.

E se você já desfrutou esta grande obra, guarde seu jogo um pouco mais. Além de poder continuar usufruindo do modo online, a Naughty Dog já divulgou que está preparando uma expansão com uma história paralela, que teria se passado entre os fatos narrados no jogo.

Assim, considerando os aspectos técnicos e o roteiro e sendo este um jogo que certamente se posicionará como referência pra a indústria…

… a LifeStart avalia este clássico com nota A!

 

Resumo
Analisado por
Wellington José da Silva
Data
Jogo analisado
The Last of Us
Nota
5
  • Rafael Rios

    Poxa…estou quase comprando um PS3 por causa desse jogo…rsrs… ficou muito legal o trabalho! parabéns!

  • Matheus Santos

    Este jogo é sensacional o problema é o que você vai jogar depois de devassar ele completamente…. Tudo parecerá irrelevante… Mathews